Após
maremoto, criminosos atacam.Os sobreviventes são vítimas de todo tipo de
violência, até sexual, enquanto piratas roubam carregamentos de ajuda
(AGÊNCIAS ESTADO E FRANCE PRESSE)
ESTOCOLMO ¿ Ladrões, estupradores, seqüestradores, piratas e golpistas
têm atacado carregamentos de ajuda, sobreviventes e até as famílias de
vítimas do terremoto, tanto em campos de refugiados e hospitais da Ásia
quanto nos países de origem de turistas europeus atingidos pelas ondas
gigantes. Autoridades e organizações de ajuda da Grã-Bretanha, Suécia,
Sri Lanka, Tailândia e Hong Kong afirmaram que criminosos aproveitam o
caos para estuprar sobreviventes no Sri Lanka ou assaltar as casas de
turistas europeus dados como desaparecidos.
Um grupo de defesa das mulheres do Sri Lanka afirmou que estupradores
estavam atacando sobreviventes desabrigadas.
¿Recebemos relatos de incidentes de estupro, estupro em grupo, moléstia
e abuso físico de mulheres e meninas durante operações de resgate sem
supervisão e enquanto elas estavam em abrigos temporários¿, assinala a
Organização Mulheres e Mídia.
Crianças que perderam os pais nas tsunamis (ondas gigantes) são vulneráveis
à exploração sexual, adverte o grupo de ajuda humanitária Save the
Children. ¿A experiência de catástrofes anteriores mostra que as crianças
ficam especialmente expostas¿, disse a diretora sueca do grupo, Charlotte
Petri Gornitzka.
Na Tailândia, ladrões disfarçados de policiais e de integrantes de
equipes de socorro roubaram bagagens e cofres de hotel no balneário de
Khao Lak, onde a tsunami matou milhares de pessoas. As Nações Unidas
também advertiram que piratas são uma ameaça aos carregamentos de
suprimentos por barco diante da costa Oeste da ilha indonésia de Sumatra,
a mais devastada pela tragédia.
As tsunamis já deixaram cerca de 145 mil mortos. Milhares de pessoas
continuavam desaparecidas, incluindo 154 brasileiros, informou ontem o
Itamaraty. Entre os desaparecidos também havia 2.500 suecos. As
autoridades suecas, entretanto, pararam de divulgar os nomes dos
desaparecidos depois que as casas de alguns deles foram invadidas por
assaltantes.
Em Hong Kong, a organização humanitária Oxfam informou ser falsa a
mensagem eletrônica sobre arrecadação de fundos que está circulando
pela Internet em nome dessa instituição. O e-mail pede às pessoas que
depositem doações numa conta bancária em Chipre.
MENINO RAPTADO ¿ A Suécia enviou sete policiais à Tailândia para
investigar a denúncia de seqüestro, supostamente praticado por pedófilos,
de um menino sueco de 12 anos cuja mãe foi levada pelas ondas em Khao Lak.
O menino estava ferido e foi tirado do hospital local por um desconhecido.
As polícias tailandesa e sueca trabalham juntas para encontrar o menino,
que se chama Kristian Walker, destacou o jornal sensacionalista ¿Expressen¿.
¿Kristian estava aqui no hospital. Foi levado por um homem¿, declarou ao
jornal ¿Kampongsree Somprutthana¿ um médico tailandês que trabalha no
local, a 30 km de Khao Lak.
O pai do menino, Dan Walker, e seu avô, Daniel Walker, encontraram várias
testemunhas que reconheceram por fotografias o menino sumido
misteriosamente. O homem que levou Kristian foi descrito como ¿de aparência
européia, com bigode e camisa vermelha¿. Uma integrante da organização
não-governamental Raedda Barnen, ligada à entidade internacional Save
the Children, advertiu no domingo que crianças sozinhas após catástrofes
são potenciais vítimas de pedófilos.
¿ A experiência de outras catástrofes demonstrou que as crianças são
particularmente vulneráveis ¿ declarou à imprensa Charlotte Petri
Gornitzka, integrante da Raedda Barnen, acrescentando que há indícios de
casos de violência sexual contra crianças no Sri Lanka, um dos países
mais castigados pelo maremoto.
(www.feminist.blogger.com.br)